quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Repetições e imitações: fazer ou não fazer?

A Primeira Bailarina, Edgar Degas
A Kara, da Cake To Remember, escreveu um artigo de opinião sobre bolos, bolachas e todas as obras de arte em geral de que gostámos e nos deixou as pistas para o lançamento deste post.


Sob a epígrafe “Não faz mal repetirem-se... Degas fê-lo” abordou um tema que é normalmente tabu: as cópias, as repetições e as inspirações.

Quando um cliente nos pede um bolo igual a outro anterior, ou a um que viu noutro sítio qualquer e até nos envia a fotografia, o que fazer? há algum mal em copiar, inspirar-se em ou em repetir-se?


Obviamente que o mais natural é que isto aconteça. Porquê? Porque o cliente, regra geral, nem se apercebe do que está a pedir, e mais do que isso, poucos têm capacidade de abstracção e imaginação para eles próprios desenharem ou conceberem o que querem... se assim não fosse, todos eram artistas! Há alguns que têm ideias genéricas sobre o que querem, outros são muito mais precisos e outros ainda, por já conhecerem o trabalho da artista, dão carta branca, sob a frase: confio no seu bom gosto, é para este fim, surpreenda-me!
Este último tipo de cliente é o que mais dificulta a vida de um artista, ao contrário do que se poderia pensar, embora seja também o que mais desafia.... mas o risco é enorme... vá que quando vê o bolo tinha outra ideia em mente e fica desiludido... há de facto, uma grande dose de imponderáveis neste tipo de pedido, que podem ser fatais...


Quando os pedidos são mais concretos, quer pedindo algo igual ao que já fizeram antes, quer pedindo igual ao que outro artista fez, é preciso desmistificar a coisa: não há nenhuma obra de arte que seja igual a outra, pelo simples facto que não somos robots e mesmo que tenhamos sido os criadores da ideia, dificilmente a repetimos exactamente igual.
Durante a vida de um artista, seja na área do cake design, seja das bolachas, seja na cozinha ou fora dela, para festas ou eventos, é o nosso portfólio que inspira e cativa os clientes, pelo que nada mais normal que pedirem outro igual a um que por ali viram.
Há um ditado sábio que diz que “a imitação é maior forma de elogio”, e de facto é! Se alguém nos copia, ou se alguém nos pede para fazer outro igual, é porque de facto foi apreciado, foi desejado e não há maior prova de que acertámos em cheio no que o mercado pretende!


Mas mais, o facto de outras artistas partirem de ideias nossas, também não pode ser encarado como um drama ou um roubo: primeiro porque nunca fica igual, nunca... por mais que queiram, há sempre pormenores, toques pessoais e retoques finais que são diferentes e que diferenciam o produto, bem como as marcas, e depois porque em última análise é o cliente que pretendemos servir, e não o inverso.


A repetição ou não, o atender o pedido ou não é uma decisão pessoal de cada um. Quando um artista diz que não repete desenhos, modelos, etc. está a exercer uma liberdade sua, que deve ser respeitada pelo cliente e pelos pares. Da mesma forma que quem repete e quer repetir, aceita inspirar-se noutros desenhos, noutras obras, está a exercer um direito seu, uma liberdade e uma forma de estar no mercado, que deve também ser respeitada por todos.
O facto de as festas, os bolos, as bolachas ou qualquer produto serem personalizados, mais não quer dizer do que ser feito à medida de quem encomenda, segundo os critérios estabelecidos pelo cliente. Claro que há que discernir entre o desejável e o possível, o sonho e a realidade, o devaneio e o exequível... essas fronteiras devem ser esclarecidas desde logo para evitar a desilusão, ou o descontentamento de quem encomenda, mas à parte disso, tudo o resto depende da vontade do cliente e da forma que o artista encontra para a satisfazer. Feito à medida, personalizado é isso mesmo e não mais do que isso.


De não esquecer é que além de arte, é também negócio, pelo que a repetição pode levar a uma optimização de recursos e a uma maior racionalização do tempo e da oferta.
Daí que se é para tirar proveito, o que é um fim legítimo, não seja de descartar a hipótese de terem que repetir 10 vezes um mesmo tipo de bolo. E por 10 ou 20 vezes que o repitam, nunca ficará igual.

Há uma ressalva que deve ser feita: o uso de fotografias alheias como trabalhos próprios. Isso não é copiar, não é inspirar-se em, isso é proibido e penalizado pela lei. Se querem aumentar os vossos portfólios com trabalhos que gostariam de fazer, mas ainda não fizeram, reservem uma parte para isso e deixem bem claro de quem são esses trabalhos, que não vos pertencem, mas que podem ser base de inspiração.... não se podem é apropriar deles!

No demais, sempre que há mãos humanas envolvidas, nunca haverá 2 trabalhos iguais!

Sempre haverá quem peça figuras disney, hello kittys, faíscas, pretos e brancos, peónias, margaridas, etc. Até as letras com que se escreve PARABÉNS, sempre serão diferentes conforme as mãos que lhe tocam!

Divirtam-se, e deixem que outros se divirtam também, relembrando sempre que mesmo quem já é perito na área, em tempos foi principiante e precisou aprender, repetir, errar e voltar a repetir, para ganhar experiência e para um dia a poder transmitir. Só assim se cresce, se desenvolve e se aprofunda.... permanentemente!

Happy Baking!

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