quarta-feira, 23 de julho de 2014

Michael Almeida: Incontornável!


Incontornável!

O Michael Almeida não passa nem pode passar despercebido no mundo do Cake Design português. É um artista sensível, mas destemido nas aventuras que escolhe e presenteia-nos com desafios sempre novos que nos fazem ficar de queixo caído. A dúvida que permanece do princípio ao fim é: Como é que o Michael se lembrou disto?

Quem é o Michael Almeida?

Nasci na África do Sul estando em Portugal desde os 8 anos de idade. Sou licenciado em Psicologia, mas desde cedo dediquei-me a vários hobbies tendo por base a criação artística, plástica e expressiva. Passei por formação artística em ginástica acrobática, arte terapia, design gráfico, teatro e mais recentemente pelas acrobacias aéreas de circo contemporâneo, como praticante e formador de crianças, jovens e adultos.
Como chegou até ao mundo dos bolos, ou ao mundo do açúcar em geral?
Ao descobrir a pasta de açúcar e tendo a curiosidade de experimentar uma nova forma artística e com um novo material, comprei uma pequena porção de pasta de açúcar para testar e descobrir as suas propriedades e lancei-me ao desafio. O teste correu muito bem e daí resolvi experimentar algo maior e com mais técnica para realizar um bolo de aniversário para a minha irmã, cujo resultado final foi muito satisfatório. A alegria e surpresa na cara dela e da minha família foram inesquecíveis.

São essas emoções que me fazem continuar a realizar bolos artísticos, experimentando novas formas de expressão, novas ideias, novas técnicas e sempre com a intenção de continuar a ver a emoção na cara das pessoas ao verem o trabalho feito para elas.


Sou autodidacta por natureza sem formação específica de bolos.
No entanto, decidi começar juntar algum dinheiro e investir em formação, nomeadamente na Escola da Isto Faz-se, tendo já realizado o módulo Flores da PME.

O que faz neste momento?

Neste momento estou desempregado. Dedico-me aos meus hobbies e claro à procura de emprego. O desemprego foi um factor importante no investimento no Cake Design, onde tenho explorado mais técnicas e sentido uma maior evolução. Pretendo assim, e se assim o futuro permitir, fazer carreira. Ter mais criações minhas e, até quem sabe, ser formador. E claro, ajudar a desenvolver o cake design no nosso país.

Eu tenho um género de marca - “Bolos do Mike” - com site e face, onde exponho algumas das minhas criações e trabalhos que faço para conhecidos e familiares. O projecto de vida que possuo neste momento, e como já referi, é construir o futuro assente na decoração de bolos artísticos e assim sair do desemprego, ou seja, ser profissionalmente um Cake Designer ou Cake Artist como gosto de apelidar.

Quando se dirigem ao Michael Almeida para que lhe faça um bolo, o que podem esperar?

Em primeiro, a ideia do pedido especifico será sempre tida em conta, em segundo o meu toque criativo que as deixarão sempre surpreendidas. É claro que o resultado final é sempre discutido, tendo em conta o peso, valores e outras referências pessoais.

Qual o pedido mais estranho que já lhe fizeram? e qual a história desse pedido?

Sinceramente nenhum que seja particularmente estranho, talvez pelo pouco tempo de Cake design... Espero um dia vir a confrontar-me com tal...

O que mais gosta de fazer nesta área?

Produções minuciosas onde o detalhe e o realismo é rei. Sirvo-me de computador e fotografias para a criação aproximada, como no bolo “Padrão dos Descobrimentos”. Por outro lado, adoro a mitologia, animais, a história e o nosso país – gosto de imaginar e dar o toque pessoal aquilo que leio, às histórias que ouço, interpreto. Por exemplo, O bolo “Adamastor” é isso mesmo, a interpretação do Canto V de Luís de Camões nos Lusíadas. Por outro lado adoro a modelagem de vários temas e realização de flores de açúcar. No Bolo “O Camaleão”, pude aprimorar a modelagem ao pormenor e elevar os meus limites fazendo uma bromélia que ainda não tinha sido descrita a sua realização por exemplo.



Quais as maiores dificuldades que sentiu ao longo dos tempos?

Sinceramente... Falta de dinheiro para mais formações e claro obter emprego na área.

Quais as maiores alegrias?

O reconhecimento de anónimos e conhecidos do cake design que, quer através das feiras, quer da revista ou através dos meios sociais, me dão uma palavra de apreço. Aproveito desde já para agradecer publicamente o apoio dado.
E claro, o reconhecimento através dos prémios que tenho recebido.

Se tivesse que escolher um bolo ou um tema especial dos que já fez, qual destacaria? E qual a história por detrás desse trabalho?

Um bolo dedicado ao halloween. Adoro o tema.

Tem um instrumento preferido?

A esteca de flores...

Na sua cozinha ou atelier, nunca falta...

Imaginação

Que bolo gostaria de fazer que ainda não fez?

Vários que tenho em mente para projectos futuros... brevemente terão novidades!

Vamos agora aos bolos do Cake Alive: O tema em causa era a fauna, como é que lhe ocorreu “O Camaleão”? de língua de fora ?

Como adepto incondicional de animais e como já tive um verdadeiro terrário com um camaleão, dendobrates e bromélias decidi fazer essa recriação em bolo. A língua de fora surge para dar movimento ao bolo, sendo também uma característica importante dos camaleões, é assim que se alimentam de insectos.



Se puder, conte-nos um pouco da aventura que foi fazer este bolo: que materiais usou, as técnicas, as dimensões e as quantidades. Trata-se de um bolo estruturado. Pode-nos contar o segredo por trás da língua do camaleão?

Uma aventura exaustiva, stressante e inacabável... Milhares de bolinhas de pasta de açúcar, toda a flora envolvente feita com pasta de flores, modelagem do camaleão e dendrobates, utilização de pó em várias cores. Muitas folhas e compor a restante flora envolvida...Bem a língua, é uma solução muito simples mas com um resultado fantástico...
A base tem 30x60cm, altura de 50cm, camaleão com dimensão de 35x25cm e língua de 25cm. Composto por um primeiro nível de bolo em toda a sua base que representa a área do habitat, seguido por outros 3 no canto esquerdo do bolo, que coberto com pasta de açúcar e finalizado com pó,representa uma composição rochosa. Os troncos elaborados com massa de cereais, cobertos com pasta de açúcar e finalizados com pó, compõem o habitat do lado direito, onde o camaleão, também feito em massa de cereais, assenta. Na ponta da língua está um grilo composto por pasta de açúcar e as antenas são dois estames de flores. As dendrobates são elaboradas com pasta de açúcar e pintadas à mão.

No futuro, o que gostaria de fazer pelo cake design, que iniciativas gostava que fossem abraçadas pelos cake designers portugueses que ainda não foram?

Inovar, promover e unir o Cake Design Português para maior visibilidade noutros países, nomeadamente mais feiras, mais trocas de experiências, eventos sazonais e oportunidades para quem começa e para quem já é da área.

Que conselho daria a quem está a começar agora nestas artes?

Muito trabalho, dedicação e acima de tudo experimentação... De novas técnicas, novos resultados e novas opções... As frustrações ajudam a alcançar novos patamares ao serem ultrapassadas.

Aqui ficam algumas das obras de arte do Michael:



















Um autêntico malabarista e contorcionista do Cake design.

Obrigada Michael pela disponibilidade e simpatia com que nos acolheu. Aguardamos novidades para breve.

Happy Baking!

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