quarta-feira, 2 de julho de 2014

Este bolo foi roubado! Entrevista com Helen Atkins

Foi em Birmingham que a conheci. Não pessoalmente, porque a confusão é mais que muita e não é fácil localizar ninguém (ainda não se lembraram de obrigar os artistas a andar com uma plaquinha com o nome ao peito), mas pelo seu trabalho que ganhou a medalha de ouro na categoria de casamentos.



Se este feito já era motivo para a conhecer melhor, o que se seguiu aguçou a minha curiosidade: foi no fim do dia de domingo, quando as pessoas começaram a levantar os seus bolos para os levar de volta para casa, que começou a correr a notícia de que havia um bolo que tinha desaparecido… tinham roubado o bolo!  
Já soube de outros casos que aconteceram deste género, e até de casos em que bolos aparecem destruídos, o que não pode ser pior exemplo, e ainda pensei que fosse um dos bolos das peças decorativas, que são mais pequenos e se alguém levar dá pouco nas vistas, mas não! O bolo roubado era o bolo medalha de ouro da classe dos casamentos com 3 ou mais andares o que já por si deixava antever que não era coisa pequena. Quando fui espreitar para perceber que bolo seria ainda foi mais surpreendente: o bolo da Helen, que tinha 7 andares e uma oitava camada que era uma bola grande, todo em laranjas, turquesas, vermelhos, amarelos, tudo cores discretas…
A aventura da caça ao bolo foi lançada e centenas de pessoas partilharam imagens do bolo a pedir para que quem encontrasse o devolvesse. E durante algum tempo ninguém compreendia como é que alguém se atreve a pegar num bolo daquele tamanho e levar debaixo do braço como se fosse seu, sem que ninguém tenha visto.
Por fim lá chegaram notícias do bolo: não foi roubado, foi levado por engano! Que GRANDE engano! Mas tem uma explicação: quando a exposição termina, os artistas devem levar os seus bolos para casa. Ora, nos artistas internacionais esta parte pode não ser fácil, e já contámos antes que são muitos os bolos que chegam a Birmingham danificados, e o que aconteceu foi que houve uma artista que, para não levar de volta o bolo, o ofereceu para que ficasse numa montra. Quando as pessoas que receberam a oferta o foram levantar, não se aperceberam que não era aquele o bolo e levaram-no. Já devolveram e já pediram desculpas pelo engano, mas não deixou de ser uma das melhores histórias deste Cake International.

Dito isto, falámos com a Helen, que entretanto andou numa azáfama entre ir buscar o bolo e trabalho e só ontem conseguimos um tempinho para conversar com mais calma e saber um pouco mais da sua história:
A Helen sempre gostou de fazer bolos e de os decorar. Aos 16 anos foi para a Escola de Catering e começou a trabalhar em hotéis. Mas só há três anos atrás é que entrou no mundo da decoração de bolos quando deixou o seu emprego. Segundo nos conta foi por esta altura que o Cake Design começou a ser cada vez mais popular no Reino Unido.
“Comecei por fazer sobretudo cupcakes. Experimentava técnicas que aprendia no YouTube e fóruns de bolos. Os meus colegas de trabalho tornaram-se as minhas cobaias e pareciam gostar das minhas várias experiências.
Queria desafiar-me a mim mesma mais e nesse ano entrei pela primeira vez no Cake International 2011.
Havia uma classe para principiantes com o tema “Winter Wonderland”, e eu fiz este bolo dos Pinguins e fiquei maravilhada por ter ganho a medalha de Bronze.

Fiquei “viciada” nesta coisa das competições! No ano seguinte entrei duas vezes na classe de malas e sapatos e ganhei duas medalhas de prata, mas queria mesmo ganhar a medalha de ouro.
Este ano lançaram um novo Cake International em Manchester e entrei na Classe de Novidade Esculpida com o “Fred the nauhty dog”. Fiquei chocada quando descobri que ganhei a medalha de ouro! Literalmente, saltei de alegria!
Em Abril (já em Londres) entrei na classe dos casamentos com o meu primeiro bolo de casamento. Tinha comprado um tecido no eBay com um padrão indiano de que gostava e foi o que me serviu de inspiração.

Ganhei a medalha de prata com a qual fiquei contente mas desapontada. Sabia o que tinha feito de errado, mas adorava o esquema e a ideia pelo que quis ter uma nova oportunidade e tentar o ouro.


Assim, para o Cake International de Birmingham, quis fazer uma versão maior e melhor do meu bolo de casamento indiano e tentar a medalha de ouro. O bolo foi originalmente desenhado com camadas esculpidas com formas diferentes e camadas quadradas, mas como não gostei do resultado, acabei por desmanchar e voltar ao bolo redondo. Para lhe dar um ar diferente do anterior, decidi usar separadores entre dois dos andares e acrescentar uma cor diferente. Uma das sugestões que recebi em Londres foi a de colocar alguma coisa no cimo do bolo que o rematasse. Decidi-me por uma esfera com decorações semelhantes ao resto do bolo.

Prefiro cores fortes e luminosas e desenhos para os meus bolos. Tinha visto um bolo em rosa forte e turquesa de que tinha gostado muito, pelo que decidi usar essas como cores de base e usar uma variedade de outras cores para as decorações.
Para os desenhos tipo paisley (tecido escocês com estampados vivos) usei cortadores, para todas as outras formas cortei à mão. Descobri que se pode fazer moldes com acetato. Simplesmente desenha-se o desenho que se quer, corta-se cuidadosamente com tesoura ou bisturi, depois lava-se e deixa-se a secar. Uma vez que tenhas a pasta esticada, coloca-se o template, pressiona-se com o alisador e depois corta-se à volta e aí tens a tua forma única que podes reutilizar.http://www.cakebeats.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/wpgallery/img/t.gif
Os elefantes pequenos foram feitos de um molde que criei a partir de um botão que encontrei numa loja de artes decorativas.
Assim que todas as camadas ficaram cobertas, dividi os lados em 6 e usei-os para centrar cada desenho.
Assim que cada desenho estava cortado e aplicado no bolo, comecei a fazer todos os pontinhos. Queria criar a impressão de que tinham sido cosidos ao bolo pelo que segui o rebordo de cada forma. Cada cor em cada camada levou pelo menos uma hora e há 8 camadas com 7 cores diferentes!
Para o topo, arranjei uma esfera com cerca de 15cm de diâmetro que veio em duas peças. Cobri-as com a mesma cor de pasta de açúcar e deixei-as a secar durante uma semana. Usando depois uma lâmina de barbear para tornar a junta invisível. Depois usando os desenhos tipo paisley e as flores, a junta ficou coberta.
Os vários andares foram unidos com Royal Icing. Depois fiz um buraco na esfera e coloquei um tubo na camada inferior para que a esta se mantivesse segura no lugar.
No total o bolo levou umas 100 horas a ficar pronto. Comecei em Agosto e só acabei mesmo no dia anterior à competição!
Fiquei maravilhada ao receber a medalha de ouro!

Passei tanto tempo a fazer este bolo que comecei por nem gostar! Depois de o levar ao Cake International fiquei impressionada com a reacção que provocou. A quantidade de pessoas que partilharam a imagem do bolo quando o meu bolo desapareceu surpreendeu-me muito! Até houve uma foto num jornal nacional, contactos de jornalistas, uma Revista de bolos do Reino Unido, e comentários de todas as partes do mundo!
Definitivamente adoro este bolo agora e a história que agora tem!
Aqui fico eu com o meu bolo e o Certificado. Já estou a planear a minha próxima entrada para o ano que vem. Em Março irei concorrer na categoria de bolos esculpidos e em Abril regresso aos bolos de casamento esperando outro ouro!”
Obrigada Helen pela conversa, disponibilidade e aprendizagem! Foi mesmo com muito gosto que nos deixámos levar através das aventuras que esta artista passou.
http://www.cakebeats.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/wpgallery/img/t.gifPágina de facebook da Helen.
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I met her in Birmingham. Not personally , because it is so difficult to find one , and no one, so far, force artists to walk with a small plaque with the name on the chest, but for her work that won the gold medal in weddings class.
If this was already a good reason, what followed piqued my curiosity : Sunday, when people started raising their cakes to take it back home , rumours began to run that a cake was gone ... somebody stole a cake! I have heard of other cases like this, and even cases where cakes appear destroyed, so I thought it was one of those cases and that someone took a small decorative piece because they are smaller, but no! The cake stolen was a gold medal, class weddings, with 3 or more tiers…  no small thing!  But as I went to my Facebook page, I got more and more surprised:  Helen’s cake had 7 tiers and an a big sphere on the top,  in oranges , turquoises , reds, yellows… there’s no way you can get out with that little piece without others seeing it!
The adventure of cake's hunting was launched and hundreds of people shared pictures of the cake asking to give it back . And for some time nobody understood how did it happen!
Finally the good news : it was not stolen , was taken by mistake! What a BIG mistake! But it has an explanation : when the exhibition ends , the artists should take their cakes home. However, for some artists this part may not be easy , and what happened was that an artist , who could not take the cake back, offered it to someone  who did not realize that she took the wrong cake. The cake has already returned and they apologized for the mistake, but it is still the best story of this Cake International .
After this adventure, and all settled down, I wanted to know a little more of her story and here it is:
I’ve always enjoying baking and decorating. When I was 16 I went to catering college, and started working in hotels. But it wasn’t until 3 years ago I really got into decorating when I changed my day job. It was about the same time that baking was becoming more and more popular in the UK.
I started by mainly doing cupcakes. Experimenting with different techniques I’d learned of YouTube and cake forums. My work colleagues became my guinea pigs and seemed to enjoy the various creations I was coming up with.
I wanted to challenge myself so that year I entered my first competition at Cake International 2011. There was a novice class which had a theme of ‘Winter Wonderland’ I made this penguin party cake and was over joyed with my Bronze award.
I was hooked on the whole business of entering competitions! Over the next year I entered twice in the shoes and handbags class and was awarded 2 silver awards but I wanted that elusive gold award.
This year they launched a new Cake International in Manchester I entered the sculpted novelty class with ‘Fred the naughty dog’. I was so shocked when I found I won a gold award I literally jumped a foot in the air!
In April I entered the Wedding Cake class with my first ever wedding cake. I had brought some fabric from eBay that had some really nice Indian patterns on it which inspired me to create this cake
I was awarded a silver medal which I was pleased and disappointed with. I knew what I had done wrong but I loved the scheme and idea so I wanted to have another go at that gold!
For Cake International at the NEC I wanted to do a bigger better version of my Indian wedding cake to try and get that gold award. The cake was originally designed as different shaped tiers and then square tiers but I didn’t like the look so I had to return to a round cake. To try keep it looking different to my previous entry I decided to use separators between two of the tiers to create a different band of colour. One of the suggestions I received in London was to have something on the top of the cake to finish it off. I decided on a sphere with similar decorations.
I prefer using bright and bold colours and designs for my cakes. I had seen a cake that was hot pink and turquoise that I really liked, so I decided to use these as my base colours. The use a variety of other colours for the decorations.
For the paisley designs I used cutters for all of the other shaped they were all hand cut. I found that you can make templates using acetate. Simply draw on the design you want, carefully cut it out using either scissors or a scalpel, then wash it and leave to dry. Once you have rolled out the sugar paste, place template on and press with your smoother and then cut around, and you have your unique shape you can reuse.
The little elephants were made from a mould that I created from a button I found in a craft shop.
Once all the tiers were covered I marked the sides of the cakes into 6 and used these for the centre point of each design.
Once each design was cut out and applied to the cake I began piping all the dots! I wanted it to give the impression that they were sewn onto the cake so I followed he outline of each shape. Each colour on each tier took at least an hour, and there are 8 tiers and 7 different colours!
For the top sphere tier I took a 6inch sphere that came in 2 pieces covered on half and left to dry out for a week, the put the top half on and covered with the same colour sugar paste, using a razor blade to get a neat join. Then using the paisley’s and flowers the join was covered.
Each tier was stuck together with royal icing and for the sphere I made a hole in the sphere and the next tier thread a dowel through the sphere and into the top tier to keep it in place.
All together the cake took around 100 hours, I started in august and just about finished the day before!
I was delighted to receive a Gold Award!
I spent so long making the cake I started to really dislike it! After displaying it at Cake International I was amazed by the reaction it got. The amount of people who shared my picture when I was unable to find it after the show blew me away! There’s been a picture in a national newspaper, contact from a journalist, UK cake magazine, and comments from all over the world!
I definitely love this cake now, and what a story it now has!
I’m already planning my entries for next year, March will be sculpted novelty again and London in April I’ll be back in the wedding cake class hoping for another gold and this time to place!
Thank you Helen for your amazing work and hope to see you soon with more golden awards!



Divirtam-se!

Happy Baking!


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