domingo, 6 de julho de 2014

Eduardo Cerqueira

O Eduardo Cerqueira deslumbrou-nos com a sua obra. Do açúcar ao chocolate, tudo nas suas mãos se transforma em obra de arte. Requintado nos pormenores, forte nas cores escolhidas, sensível nos detalhes, está à altura dos maiores nomes internacionais da especialidade. Com vários prémios no Curriculum, várias obras em inúmeras exposições e festivais, dispensou-nos algum do seu tempo, para partilhar convosco um pouco da sua história.



Quem é o Eduardo Cerqueira?
O Eduardo Cerqueira é um curioso que abriu uma pastelaria aos 18 anos sem saber fazer um bolo.

Como Chegou ao mundo dos bolos?
Cheguei ao mundo dos bolos porque quis sair da escola e o meu pai disse-me que para isso tinha que ir fazer qualquer coisa... A pastelaria era uma área pouco explorada na minha zona e então decidi-me.
O que faz o Eduardo? Tem algum projecto próprio?
Tenho uma pastelaria própria: Pastelaria Barca Doce, na Quinta do Conde, Sesimbra.
Quando se dirigem ao Eduardo Cerqueira para que lhe faça um bolo, o que podem esperar?
Em geral, quase tudo o que idealizam.
O que mais gosta de fazer nesta área?
Gosto em geral de tudo o que envolve a decoração.
Quais as maiores dificuldades que enfrentou?
A falta de conhecer as pessoas certas que saibam apreciar o nosso trabalho, pois só agora, aos 37 anos, depois de tantos anos a demonstrar tudo o que faço, é que vejo divulgadas algumas das minhas criações.
Quais as maiores alegrias que tem tido com o seu trabalho?
As minhas maiores alegrias resumem-se à divulgação do meu trabalho e às oportunidades que me têm surgido como por exemplo participar com a Teresa Henriques no seu livro "Great moments".
Tem algum instrumento favorito?
Os meus instrumentos favoritos são vários porque só com um é difícil trabalhar os diferentes materiais que utilizo nos meus bolos.
Que Bolo gostaria de fazer que ainda não fez?
Consoante as experiências profissionais que vão surgindo, as ideias para a concretização de novos bolos também emergem mas ainda não encontrei um que diga : "tenho que fazer..." Todos são um desafio.
Vamos agora aos bolos do Cake Alive:
O tema em causa era a fauna, como é que lhe ocorreu “A Fauna do Western” e porquê Western?
A fauna do western surgiu porque gosto sempre de inovar e tentar encontrar algo que nunca ninguém fez. Quando fiz a pesquisa sobre o que era mais elaborado sobre a fauna não encontrei nada que envolvesse este tema e daí começaram a surgir ideias próprias.
O que quis fazer, essencialmente, foi, como se vê no estrangeiro, não recorrer ao tradicional amontoado de esferovite, pasta de cereais, etc, e fazer algo elegante com altura e delicadeza , 100% comestível. Os materiais que utilizei foram, chocolate negro e de leite, isomalte e um pouco de pasta de açúcar. Nas técnicas podemos apontar escultura, açúcar soprado e pintura.

Trata-se de um bolo estruturado. Pode-nos contar o segredo por trás da cobra?
O segredo da cobra é apenas chocolate de qualidade, trabalhado à temperatura certa. Para além de que teve de ser transportado durante a noite a uma velocidade muito reduzida.
Teve ajuda para este trabalho?
Se tivesse que agradecer o contributo de alguém, a quem deixaria uma mensagem?
A ajuda que tive foi, como é habitual, a da minha mulher e do meu filho mais velho, o Tomás, que é o meu maior crítico. É a eles que agradeço.

No futuro, o que gostaria de fazer pelo cake design, que iniciativas gostava que fossem abraçadas pelos cake designers portugueses que ainda não foram?
Gostava de ver outros exemplares como o que apresentei e deixar de ver o cake design só refugiado na pasta de açúcar.
Que conselho daria a quem está a começar agora nestas artes?
Têm um longo caminho. É necessário ser humilde e nunca achar que sabemos tudo. mas, nunca deixar que tirem o valor ao nosso trabalho, mesmo que não esteja 100%.
Se me fizesse a pergunta "Qual era o seu maior sonho?" Eu responderia que gostaria ainda de um dia representar o nosso país num campeonato no estrangeiro e mostrar toda a minha dedicação.
O Eduardo fez formação? Formação primeiro ou foi fazendo ao longo dos tempos? Isto porque um dos dilemas de muitas pessoas nesta área é o custo das formações, e muitos não podem podem, acabando por ser um mercado cheio de talento que se perdem por limitação de conhecimentos.
A formação que fiz, muito pouca, foi depois. Quando me iniciei nesta área, nem se falava nisso.
O amor àquilo que fazemos, a nossa dedicação e empenho é a maior formação que podemos querer.
Por fim, quer deixar palavras de agradecimento e apreço a alguém em especial?
Gostava muito de agradecer à Teresa Henriques que foi a única pessoa que realmente, sem me conhecer de lado nenhum, deu um grande valor aos meus trabalhos. (A Teresa Henriques é, para quem não sabe a Presidente em exercício da ANCD - Associação Nacional do Cake Design).
Obrigada Eduardo pelo tempo que nos dispensou, no meio de tantos projectos que tem entre mãos. Desejamos que o seu sonho se realize o mais brevemente possível.










É magnífico, não é?
Divirtam-se!
Happy Baking!


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