quinta-feira, 3 de julho de 2014

Bolos deprimidos!

O que não falta na área dos bolos é criatividade, e aqui fica uma iniciativa que está a correr o mundo e que nos chamou a atenção. Apropriada a todos os tempos mas com especial relevância nos tempos que passamos, as doenças mentais, em particular a depressão, é um fenómeno cada vez mais comum, no entanto muito silencioso e silenciado pela sociedade em geral. Conhecem a Depressed Cake Shop?
 



Todos os anos a Cakehead Loves de Londres cria um evento para angariar fundos para uma causa. Há dois anos venderam bolos em forma de sushi para angariar fundos para as vítimas do tsunami no Japão, no ano passado, com a morte de Steve Jobs, resolveram criar bolos temáticos relacionados com a tecnologia cujos lucros revertiam a favor da luta contra o cancro do pâncreas e este ano foi a vez da depressão. A depressão é uma luta diária para milhões de pessoas, e o estigma em torno da doença só contribui para o aumento desse fardo. Lançando o desafio da criação de bolos em tons de cinzento, para chamar a atenção dos media, e da comunidade nacional e internacional, depressa a iniciativa tomou proporções muito além do imaginado e surgiu a Depressed Cake Shop.
 
"Quando se volta ao trabalho depois de ter uma gripe, as pessoas não julgam para sempre uma pessoa. Mas se tem o azar de ter uma depressão e chega ao conhecimento público seja no trabalho seja no círculo de amigos, isso irá marcá-lo para sempre." diz Emma Thomas.
 
No início de Agosto, Thomas em colaboração com a pastelaria Eat Your Heart Out lançou a Depressed Cake Shop em Brick Lane, Londres, onde se vende apenas bolos ​​cinzentos para representar visualmente a doença mental. Contra o que era a sua expectativa o conceito cresceu e agora, tem pelo menos 50 lojas em todo o mundo, desde o Reino Unido, Malásia, Argentina, Paquistão e Estados Unidos.
 
Thomas acredita que o sucesso se deve à abordagem simples e divertida de um assunto difícil. "Há sempre folhetos e sites muito carregados ​​e não há uma maneira fácil das pessoas procurarem ou oferecerem o seu apoio ou gerar debates sobre o tema".

Com os bolos deprimidos as pessoas podem apoiar causas relacionadas com o tema apenas comprando um bolo.

O crescimento foi de tal ordem que com tantas lojas em todo o mundo, Thomas e a sua equipa não podem supervisionar pessoalmente cada local, pelo que neste momento procuram oferecer orientação criativa. "Nós fazemos as relações públicas e consciencialização, alertamos para o problema e isso dá confiança no conceito."
Os participantes comprometem-se a respeitar duas regras: só vendem bolos em cinzento ("caso contrário, não é novidade!") E a receita é para uma organização ligada à saúde mental.

E a conversa não é limitada a biscoitos e bolos com caras tristonhas e nuvens impressas, o grupo de Facebook para voluntários oferece um ambiente seguro para as pessoas com depressão, e seus entes queridos, onde podem, sem medo, falar do assunto, num ambiente descontraído, o que o torna muito apetecível.
Sabrinah Morad é um desses voluntários, que organizaram a venda de dois dias na Malásia. Morad foi levado para o grupo Cake Depressed Shop pela sua irmã, Zainah, dona de um café da Malásia." O meu padrasto tem uma depressão e desde que me lembro, que se fala da doença em segredo", disse Morad. "Nunca entendi realmente, era quase como se tivéssemos alguma forma de culpa, porque estava triste o tempo todo." Morad e a sua irmã nunca foram autorizados a falar sobre o que aconteceu em casa, e mais tarde descobriram que na sua cultura a depressão está associada ao oculto, à magia negra ou a uma maldição. "Lembro-me de há uns anos atrás, chegarem a nossa casa membros da família do povo de meu padrasto com um Bomoh (curandeiro) para abençoar a casa e expulsar os "demónios" dele ", disse Morad."Falta-nos grupos de apoio aqui, há muito poucos conselheiros treinados", disse ele. "Esperamos que com a consciência venha um maior e melhor apoio e cuidados médicos para esta doença."

Jane Reyes ajudou a organizar a campanha em São Francisco , Estados Unidos. Junto com o espaço QueerLife , o seu grupo arrecadou US$ 1,000 por dia para apoiar os serviços de saúde mental, uma causa que a afeta pessoalmente. Os seus membros foram gradualmente perdendo a função muscular, devido a uma doença degenerativa chamada de Charcot-Marie-Tooth, mas como ainda tinha mobilidade suficiente para confeccionar e decorar bolos, achou que era uma forma de ajudar e assim iniciou a sua aventura. Assim que começou a produzir, sentiu grande orgulho e a sensação de dever cumprido. Reyes escreveu num e-mail. "Para alguém com deficiência física ou mental estas coisas são raras e preciosas."

A solidariedade que encontrou no meio da comunidade de voluntários de Depressed Cake Shop revelou-se essencial para Reyes na luta contra a depressão causada pela sua deficiência dolorosa. "Fazer estas ligações através de um bolo salvou-me a vida", escreveu ela."Quando ouvi falar no projeto da Emma, ​​foi como se um raio me atingisse, e sabia que tinha que fazer parte disto."
 
Emma Thomas está bem ciente do profundo impacto que a sua iniciativa criou e cria, e reconhece que a sua maior luta agora é incentivar os participantes a mantê-la simples."Todos querem complicar", diz ela. Uns querem criar grupos de apoio, outros dão outras ideias. No entanto não é isso que fazemos. Trata-se apenas de fazer bolos cinzentos e é tudo. " Há pessoas que contam histórias maravilhosas de como este gesto os afectou e afectou os seus amigos. É impressionante e comovente ", disse ela.





Estão para abrir mais 50 lojas, e na América já existem em Los Angeles, Nova York, Atlanta e há mais cidades para vir.

Aqui fica o desafio! Quer fazer parte? Mais informações sobre depressedcakeshop.

Divirtam-se!

Happy Baking!

Fonte: The Depressed Cake Shop

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