quarta-feira, 2 de julho de 2014

Bolos Decorados - O pavão!

Há bolos assim... apaixonamo-nos por eles à primeira vista. Hoje trazemos um bolo que não ganhou nada: não teve prémios nenhuns, não apareceu em revista nenhuma, e não foi alvo de especial atenção por parte de artistas de renome... e no entanto, é daqueles bolos assim: transparece serenidade e beleza, traz-nos tanta realidade que quase podemos ouvir o crac das folhinhas debaixo das suas patas. De olhar altivo, penetrante, este bolo seduz quem com ele cruza o olhar: o Pavão da Elsa Costa.

Já a entrevistámos antes, e não publicámos fotos deste bolo, propositadamente, pois merecia mais do que uma menção entre os outros bolos. Pudémos vê-lo e namorá-lo, estudá-lo e apreciá-lo em todo o seu esplendor.  A altivez do pavão, um pouco até arrogante, contrasta com o resto do mundo, que em menor tamanho repousa a seus pés: a desproporção propositada entre o lago e o tamanho do pássaro reflectem a mejestade com que se pavoneia a ave que nos conquistou.
Em conversa com a Elsa, fomos em busca dos pormenores e da história por trás deste bolo: "O pavão azul real é originário da Asia, existem bastantes na Índia, Paquistão, Sri Lanka e Nepal. Pertencem á família dos faisões.

Normalmente pesam cerca de 5 Kg e medem mais de 2 metros, a sua altura é de aproximadamente 85cm. Existem várias outras variedades, todas elas criadas artificialmente. Os machos são os únicos que tem esta plumagem azul esverdeada na sua cobertura superior.


O aspeto destas penas é alongado com um olho a formar uma cauda. Estas penas são usadas para a corte ás fêmeas, normalmente são levantadas em forma de leque. Para voarem tem que dar uma corrida e o seu voo é muito desajeitado. Costuma passar a noite em árvores. 

Na sua cabeça tem uma pequena coroa de penas, em torno dos olhos tem um conjunto de penas amarelo esverdeado como que desenhando o contorno dos olhos, os olhos são laterais com visibilidade em 180º. 

Tem um pescoço longo azulado escuro com penas curtas. No peito e laterais tem diversas outras tonalidades de penas entre o amarelo, acastanhado, as penas azul esverdeadas, as pretas e brancas e as azuladas escuras."

Que técnicas utilizou na elaboração deste bolo?
"Foram várias as técnicas usadas na criação deste bolinho. Comecei por  trabalhar pasta de cereais, tentei dar-lhe a forma mais aproximada da sua anatomia. O pavão normalmente tem tendência em inclinar o pescoço com um ar muito elegante. Depois de secar bem já com a forma que pretendia, comecei então a forra-lo com pasta de Açúcar azul escura.


Seguidamente preparei rolos de pastas de várias tonalidades para criar as penas com aspeto de olho. Fui juntando estes rolinhos todos até que lhe enrolei um último em tons de verde. Depois de todos enrolados num só, cortei em fatias as quais espalmei e passei o boleador, por fim dei-lhe golpes de bisturi para ficarem soltas e com aspeto de penas.


As penas do pescoço e cabeça foram feitas com tesoura e esteca de flores com alguma paciência não descorando a inclinação de todas elas, principalmente na rotação do pescoço, que as penas  acompanham. Seguidamente  criei  as penas laterais com as suas tonalidades próprias com o processo anterior. Utilizando sempre a esteca das flores. Só no fim coloquei as penas que se prolongam como cauda.


A seguir tratei de fazer as patas, com as suas respetivas tonalidades, usando paus próprios , e coloquei no corpo. Deixei secar muito bem a pasta para poder pintar. A cabeça o pescoço e frente, utilizei várias tonalidades de pós azuis para conseguir este resultado, utilizando uma técnica de esponjado. As penas brancas e pretas utilizei a pintura de pincel para o negro. As penas da cauda ainda foram retocadas a pincel e mais tarde a pó dourado, para que tivessem algum brilho.


Quanto á base do bolinho, o charco foi pintado e mais tarde coloquei brilho para criar o efeito água. As pedras e laterais e  pedrinhas foram criadas com mistura de tonalidades de pastas. Toda a envolvente foi criada novamente com técnicas de esponjado em pós líquidos e pós secos. As flores são básicas para serem muito miudinhas. Apliquei também uns nenúfares no charco. Tem uma flor encarnada que se vê muito na India a qual tem uma gota de orvalho a escorrer.

Foi um trabalho demorado, portanto... Este bolinho levou largas horas cerca de 12 a 14 horas, entre tempos de secagem, corte de penas, etc, na sua concepção e mais umas quantas em pesquisa.
Porque escolheu este pavão? Tentei fazer algo que ainda não tivesse sido feito.

Em concurso não podem ganhar todos, é a regra. Mas ao decidirem participar, os artistas fazem de si e dos seus bolos verdadeiros vencedores: vencedores da admiração e enamoramento do público, que o Cake Beats também é.

Deliciem-se com estas penas, estas cores e esta altivez.
Happy Baking!


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